BRITANGO (Neophron percnopterus)

Nas arribas do Douro: adulto à esquerda e juvenil à direita.

O Britango, também chamado Abutre-do-Egipto, é um necrófago, que aprendeu a usar objetos: apanha uma pedra com o bico e deixa-a cair sobre um ovo, para assim o partir e poder comer o seu conteúdo. Isto passa-se em África, onde estes abutres comem ovos de avestruz. Por cá, o Britango demonstra também a capacidade de ultrapassar adversidades e continuar a sobreviver, apesar das contrariedades.

Em voo, notam-se a cabeça comprida e amarela e a cauda cuneiforme (em forma de cunha), ligeiramente mais curta que a largura da asa. Corpo e parte da asa brancos, tendo as penas de voo escuras. Visto de perto, a cabeça, pescoço, peito e manto são amarelados ou acinzentados. A cabeça é nua, desprovida de penas, algo comum nos abutres: assim é mais fácil manter a cabeça limpa. O juvenil de Britango apresenta um padrão contrastante de castanho-escuro com as extremidades das penas ocres.

Em Portugal aparece junto à fronteira, no centro e nordeste, tendo-se extinguido, como nidificante, recentemente a sul do Tejo. A sua população entre nós parece estar a diminuir ligeiramente. Ocorre em terrenos abertos, perto de escarpas onde nidifica.

Procura alimento em quase qualquer lado, até lixeiras, portos e matadouros. Segue as manadas de gado e aproveita as vítimas de incêndios e queimadas. Além de se alimentar de carne em putrefação, é também coprófago e tudo o que houver para consumir: carcaças de animais, anfíbios, insetos e répteis. Chega a visitar aldeias procurando desperdícios, incluindo fruta e vegetais podres. Quando encontra uma carcaça, espera que os outros abutres (o Abutre-preto e o Grifo) se alimentem primeiro, mas come antes dos corvídeos.

O envenenamento, a falta de recursos alimentares e a perturbação e perseguição humanas, são as principais ameaças do Britango, bem como o embate com linhas elétricas.

Comprimento: 55cm-65cm; Envergadura: 155cm-170cm; Peso: 1800g-2400g; Nidificação: 2 ovos brancos com manchas acastanhadas, incubados 42 dias ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Estival Nidificante; Estatuto: Em Perigo


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GRIFO (Gyps fulvus)

Sempre quis fazer uma foto com uma grande ave em voo, iluminada pelo primeiros raios de luz contra um fundo escuro. Estudar o local, perceber onde nasce o sol e onde se projetam as sombras é importante para se poder antecipar a foto – e, claro, contar com a colaboração das aves.

O Grifo é um abutre que, longe de ser o animal agoirento das crenças populares, tem um papel fundamental no controle de doenças: sendo um necrófago torna-se uma ave útil na medida em que come animais já mortos que, de outra forma, ficariam a decompor-se nos campos, podendo ser agentes de difusão de doenças.

Enorme, muito maior que a maioria das águias. Asas largas com os dedos muito visíveis (que na verdade são apenas penas compridas e bem separadas das outras). Cauda curta. Voa com o pescoço encolhido, pelo que este e a cabeça mal se notam, comparados com o grande corpo e as enormes asas. Cabeça e pescoço relativamente claros. Apresenta uma gola esbranquiçada. Corpo e parte das asas castanhas, com as penas de voo mais escuras. Voa em bando, geralmente em círculos, aproveitando as correntes de ar ascendente.

Ocorre em vales escarpados de grandes rios, onde nidifica, com planaltos secos e desflorestados adjacentes, onde procura alimento. Em Portugal surge junto à fronteira nos rio Douro, Tejo e Guadiana. Depende da pastorícia para se alimentar. Pode passar vários dias sem comer, mas quando se alimenta, pode ingerir tal quantidade de comida que mal é capaz de voar. Os grifos cooperam entre si para encontrar um animal morto, mas tornam-se agressivos uns com os outros ao alimentarem-se.

A sua população no nosso país parece estar estável, depois de algumas décadas de crescimento. O envenenamento é uma das grandes ameaças para o Grifo, bem como o embate e eletrocussão em linhas de alta tensão

Comprimento: 95cm-110cm; Envergadura: 230cm-265cm; Peso: 6500g-11000g; Nidificação: 1 ovo branco, incubados 48-54 dias ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Residente; Estatuto: Quase Ameaçado


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ABUTRE-PRETO (Aegypius monachus)

O grande abutre em voo no Tejo Internacional...

O Abutre-preto é o maior e mais raro abutre da nossa avifauna. De plumagem toda escura (mas não forçosamente preta), a cabeça distingue-se bem em voo por ser clara, facto que o diferencia do Grifo. Também se diferencia pela gola clara, pálida, e não branca.

O Abutre-preto, tal com o outras aves de grande porte e envergadura, costuma planar em círculos: com as asas estendidas e as pontas destas ligeiramente rebaixadas. A sua cauda é curta e cuneiforme. Vistas de baixo, as asas apresentam as coberturas mais escuras que as penas de voo. No entanto, aquelas são salpicadas irregularmente por penas mais claras. O juvenil tem cabeça, gola e as asas uniformemente muito escuras, quase pretas, só ficando com a roupagem de adulto ao fim de cerca de seis anos. Essencialmente necrófago, pode também apanhar animais ainda moribundos, se a carne em putrefação lhe faltar. É sempre o primeiro a alimentar-se e é pouco sociável, afastando outros abutres, incluindo os da mesma espécie. Quando as aves necrófagas encontram um cadáver só depois dele se alimentam os grifos, os britangos, os corvos e as gralhas, por esta ordem.

Comprimento: 100cm-115cm; Envergadura: 250cm-285cm; Peso: 7000g-12000g; Nidificação: 1 ovo branco com pintas acastanhadas, incubados 52-55 dias ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Residente; Estatuto: Criticamente em Perigo


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