LOBO-IBÉRICO (Canis lupus signatus)

Animal fotografado em condições controladas.

O Lobo é o grande predador incompreendido da nossa fauna. Vítima de lendas e mitos, é perseguido desde tempos imemoriais, quase sempre sem justificação. Os ataques a humanos, que sempre foram raros, terminaram com o controlo da raiva. Já a predação sobre gado doméstico, deve-se sobretudo à falta de presas naturais.

O aspecto do Lobo lembra o de um grande cão pastor-Alemão, tendo no entanto, o peito menos pronunciado, a cabeça mais larga, as orelhas mais curtas, e o pescoço mais grosso, apresentando uma espécie de juba. Na Península Ibérica, podemos encontrar a subespécie signatus, mais pequeno que os seus parentes da Europa Central e de Leste. A falta de grandes presas, a sua quantidade (ou melhor, a sua raridade) e a pressão humana são factores que contribuem para a redução do número de indivíduos da alcateia.

Em Portugal, devido à falta de presas, o Lobo é solitário ou forma alcateias muito pequenas, compostas geralmente por um casal e as respectivas crias desse ano e do ano anterior, entre 3 a 8 lobos, no máximo.

Em alcateias mais numerosas, impera uma hierarquia social muito rígida. O casal alfa, dominante, é o único que se reproduz em épocas de escassez de alimento, auto-controlando assim o número de efectivos da espécie. O resto da alcateia é composta, geralmente, pelos descendentes adultos e as crias desse ano. Por vezes ocorrem lutas para determinar a ascensão social de um dos membros. Estas lutas são maioritariamente rituais, não ocorrendo grandes ferimentos. O membro dominante afirma a sua posição de uma forma agressiva, enquanto o de posição hierárquica inferior adopta atitudes de submissão, geralmente colocando a cauda entre as pernas e expondo a barriga e a garganta, zonas muito vulneráveis, às poderosas mandíbulas do chefe da alcateia.

Comprimento cabeça e tronco: 90cm-150cm; Cauda: 30cm-50cm; Peso:25kg-35kg30kg-40kg; Gestação: 63 dias, 3-7 crias, Março/Maio. Taxonomia: Mammalia, Carnivora, Canidae; Estatuto: Em Perigo.


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LONTRA (Lutra lutra)

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Muito difícil de ver, não só porque tem hábitos nocturnos, como por estar quase sempre dentro de água, a Lontra, surpreendentemente pode viver bem perto de nós, mesmo dentro de cidades, desde que tenham um curso de água com disponibilidade alimentar.

A Lontra é um mamífero carnívoro que passa a maior parte do tempo na água, onde captura as suas presas favoritas: peixes, anfíbios e pequenas aves aquáticas. O corpo da lontra está perfeitamente adequado à vida anfíbia: alongado, com uma longa cauda afilada que serve de leme e propulsor (abanando-a de um lado para o outro), o pêlo é impermeável, devido a um óleo segregado por glândulas, as patas têm membranas interdigitais – tudo converge para fazer da Lontra uma excelente nadadora. Por outro lado, essas características tornam-na pouco ágil em terra. A pelagem é toda castanha, com excepção de uma mancha esbranquiçada no queixo que, por vezes, se estende pelo ventre. As orelhas são curtas e possui longas vibrissas, com as quais “sente” a água. É nocturna e solitária, pelo que raramente se vê mais do que uma lontra, com a excepção da época do cio, ou quando as fêmeas andam com crias.

Comprimento cabeça e tronco: 60cm-90 cm; Cauda: 35cm-47 cm; Peso: 6 kg-10 kg; Gestação: 60 dias, 1-5 crias, Janeiro/Dezembro; Taxonomia: Mammalia, Carnivora, Mustelidae; Estatuto: Pouco Preocupante.


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SACA-RABOS (Herpestes ichneumon)

Animal fotografado em cativeiro.

O Saca-rabos foi introduzido no nosso país, há muitos séculos atrás, pelos Árabes que o usavam como animal exterminador de ratos e cobras (é resistente ao veneno das serpentes). Apesar dos hábitos diurnos, não é muito visível, sendo muito esquivo, até porque é uma espécie que é caçada pelo homem.

O grupo familiar do Saca-rabos, composto pela mãe e as crias desse ano, têm o hábito de caminhar em fila indiana, e, por vezes, agarrarem com a boca a cauda do elemento que vai à sua frente, facto que lhe terá valido o seu nome comum. Em Espanha, por andarem em fila, receberam o nome de serpente peluda. Tem uma pelagem comprida, castanho-acinzentada. A cauda é larga na base e vai estreitando até à ponta. A pupila é horizontal, o que é muito raro entre os carnívoros. Habita terrenos rochosos com vegetação e matagais, aparecendo também em terrenos cultivados. Em Portugal ocorre nas regiões mais quentes do Centro e Sul, surgindo um pouco mais a norte no Interior do que no Litoral. Alimenta-se de coelhos, roedores, aves, cobras, insetos e ovos. Estes são partidos, atirando-os contra as rochas. Alimenta-se também em lixeiras. Era considerado sagrado no Egito dos faraós.

Comprimento cabeça e tronco: 50cm-55cm; Cauda: 33cm-45cm; Peso: +2kg; Gestação: 72-84 dias, 2-4 crias, Fevereiro/Junho. Taxonomia: Mammalia, Carnivora, Herpestidae; Estatuto: Pouco Preocupante.


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DONINHA (Mustela nivalis)

Antes de atravessar aquele grande rio de pedra a que os humanos chamam estrada, uma Doninha espreita os possíveis perigos...

A Doninha é um pequeno mamífero, de patas curtas, com uma pelagem castanha na zona dorsal e branca na zona ventral, sendo a delimitação entre ambas claramente demarcada, mas de uma forma algo irregular, ao contrário do Arminho, Mustela erminea, em que a linha de separação é relativamente direita, característica que permite distinguir bem as duas espécies.

A Doninha apresenta uma mancha castanha na garganta e tem um acentuado dimorfismo sexual, quanto ao seu tamanho: os machos são muito maiores do que as fêmeas. Bem distribuída, ocorre numa grande variedade de habitats, especialmente em zonas agrícolas, onde existam muros de pedra. Alimenta-se essencialmente de roedores, mas também de aves e ovos, e até de coelhos. Apesar de ser o mais pequeno carnívoro da nossa fauna, tem um apetite voraz, consome diariamente o equivalente a cerca de 33% do peso do seu corpo.

Comprimento:20cm-31cm, ♀ 17cm-18cm; Cauda:6cm-12,5cm, ♀ 3cm-8,8cm; Peso:54g-73g, ♀ 30g-35g; Gestação: 34-37 dias, 4-6 crias, Abril/Maio. Taxonomia: Mammalia, Carnivora, Mustilidae; Estatuto: Pouco Preocupante.

Depois de atravessar a estrada a doninha volta-se para trás, como que para ver se não é seguida...

A pequena grande predadora pode caçar (ou roubar a outros predadores?) presas muito maiores do que ela. Neste caso, leva parte de um coelho...


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