GARÇA-BRANCA (Egretta garzetta)

Os pés amarelos caraterizam esta espécie...

A Garça-branca, também chamada Garça-branca-pequena (para a distinguir da Garça-branca-grande) é uma ave de proporções elegantes, de plumagem toda branca, patas negras e dedos amarelos (característica distintiva). Bico preto e loro cinzento, que na época da corte, passa a cor lilás. Na plumagem nupcial, apresenta na nuca duas plumas alongadas.

Mais comum a sul do Tejo, especialmente como nidificante, aparece pontualmente mais a norte. Ocorre em lagoas costeiras, foz dos grandes rios, pauis e rios, sempre em água pouco profunda. Frequenta meios urbanos, desde que as condições de água e alimento se verifiquem. Escolhe árvores, vegetação aquática (caniço, canas) ou arbustos para fazer o ninho, por vezes junto a outras garças, e sempre rodeado de água (para segurança do ninho) ou nas suas proximidades (pela disponibilidade de alimento). Alimenta-se de peixes, crustáceos, insectos, pequenos roedores e aves, répteis e anfíbios. O alimento é capturado por espera ou andando lentamente na água pouco profunda. Costuma bater com as patas, agitando o fundo lamacento, de forma a revelar potenciais presas.

A destruição das zonas húmidas é o principal factor de ameaça para esta ave. Pode também ser prejudicada por associar os seus locais de nidificação com os da Garça-boieira, uma vez que estes são muitas vezes destruídos.

Comprimento: 55cm-65cm; Envergadura: 88cm-106cm; Peso: 280g-640g; Nidificação: 3-5 ovos claros, incubados 21-22 dias ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Ciconiiformes, Ardeidae; Tipo de ocorrência: Residente; Estatuto: Pouco Preocupante.


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MILHAFRE-PRETO (Milvus migrans)

Em voo, com a típica cauda bifurcada que caraterizam milhafres...

O Milhafre-preto tem a cauda bifurcada, mas não tanto como a do Milhafre-real: em certas posições pode mesmo nem se notar, sendo por isso fácil de confundir com outras aves de rapina.

Mais pequeno e mais escuro, o Milhafre-preto tem os painéis da “mão” apenas claros e não brancos. Ambos os sexos têm plumagem idêntica: dorso castanho-escuro e ventre castanho-arruivado. A cabeça é clara. Alimenta-se de pequenas aves e roedores, de rãs e de peixes, de preferência já mortos, que apanha à tona da água, facto que o faz estar muito ligado a zonas de água. Também frequenta lixeiras, come carne morta e pode saquear o alimento a outras aves de rapina ou às garças. Em Portugal está relativamente bem distribuído. Pode ser colonial ou nidificar isoladamente. É bem conhecida a colónia da Mata do Choupal em Coimbra, onde fazem os ninhos em árvores de grande porte. Aí, os milhafres alimentam-se na ETAR. Os ninhos de Milhafre-preto podem conter trapos e outros materiais não naturais. Trata-se de uma ave estival, portanto migradora, passando o Inverno em África.

Comprimento: 48cm-59cm; Envergadura: 130cm-155cm; Peso: 750g-900g; Nidificação: 2-4 ovos cremes com manchas castanhas, incubados 25-32 dias ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Estival Nidificante; Estatuto: Pouco Preocupante


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CEGONHA-BRANCA (Ciconia ciconia)

Uma cegonha-branca no paul do Boquilobo

A Cegonha-branca é bem conhecida de todos pelos seus enormes ninhos de galhos construídos em chaminés, postes de eletricidade, torres de igrejas, chaminés e telhados de casas ou fábricas . De facto, é uma espécie que não é tímida, adaptando-se bem ao homem. Tal proximidade levou à criação de lendas. Na Escandinávia dizia-se às crianças que os bebés eram trazidos pela cegonha; uma vez que esta fazia o ninho nas chaminés e é uma ave dócil e protetora, as crianças podiam ver o cuidado que as aves punham na sua descendência. Já os antigos romanos tinham a Lex Ciconaria (Lei da Cegonha) que incentivava as crianças a cuidarem dos idosos.

A Cegonha-branca é quase toda branca, exceto o bico e as pernas vermelhas e as penas de voo pretas. As penas do pescoço são um pouco alongadas nas aves mais velhas.

Muito comum no Alentejo, Ribatejo, Beira Baixa, Baixo Mondego e zona de Aveiro. Ocorre em diversos tipos de habitats especialmente em campos de cultivo, pauis e até em aterros sanitários. A sua população em Portugal tem vindo a aumentar significativamente (ao contrário de outros países) especialmente em zonas onde existe o Lagostim-vermelho-da-Louisiana (Procambarus clarkii) uma espécie invasora, mas que, neste caso terá tido um papel positivo. Completa a sua dieta com anfíbios, répteis, peixes, ratos e insetos. Apanha a comida andando lentamente ou correndo com o bico apontado para o chão. Essencialmente estival, alguns indivíduos podem ficar todo o ano, principalmente no sul do país. É gregária e colonial.

O choque e eletrocussão com linhas de alta tensão, a perda de habitat e a contaminação por pesticidas são as principais ameaças e causas de morte destas aves.

Comprimento: 95cm-110cm; Envergadura: 180cm-220cm; Peso: 3000g-4000g; Nidificação: 3-5 ovos brancos, incubados mais 1 mês ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Ciconiiformes, Ciconiidae; Tipo de ocorrência: Estival nidificante; Estatuto: Pouco preocupante


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BRITANGO (Neophron percnopterus)

Nas arribas do Douro: adulto à esquerda e juvenil à direita.

O Britango, também chamado Abutre-do-Egipto, é um necrófago, que aprendeu a usar objetos: apanha uma pedra com o bico e deixa-a cair sobre um ovo, para assim o partir e poder comer o seu conteúdo. Isto passa-se em África, onde estes abutres comem ovos de avestruz. Por cá, o Britango demonstra também a capacidade de ultrapassar adversidades e continuar a sobreviver, apesar das contrariedades.

Em voo, notam-se a cabeça comprida e amarela e a cauda cuneiforme (em forma de cunha), ligeiramente mais curta que a largura da asa. Corpo e parte da asa brancos, tendo as penas de voo escuras. Visto de perto, a cabeça, pescoço, peito e manto são amarelados ou acinzentados. A cabeça é nua, desprovida de penas, algo comum nos abutres: assim é mais fácil manter a cabeça limpa. O juvenil de Britango apresenta um padrão contrastante de castanho-escuro com as extremidades das penas ocres.

Em Portugal aparece junto à fronteira, no centro e nordeste, tendo-se extinguido, como nidificante, recentemente a sul do Tejo. A sua população entre nós parece estar a diminuir ligeiramente. Ocorre em terrenos abertos, perto de escarpas onde nidifica.

Procura alimento em quase qualquer lado, até lixeiras, portos e matadouros. Segue as manadas de gado e aproveita as vítimas de incêndios e queimadas. Além de se alimentar de carne em putrefação, é também coprófago e tudo o que houver para consumir: carcaças de animais, anfíbios, insetos e répteis. Chega a visitar aldeias procurando desperdícios, incluindo fruta e vegetais podres. Quando encontra uma carcaça, espera que os outros abutres (o Abutre-preto e o Grifo) se alimentem primeiro, mas come antes dos corvídeos.

O envenenamento, a falta de recursos alimentares e a perturbação e perseguição humanas, são as principais ameaças do Britango, bem como o embate com linhas elétricas.

Comprimento: 55cm-65cm; Envergadura: 155cm-170cm; Peso: 1800g-2400g; Nidificação: 2 ovos brancos com manchas acastanhadas, incubados 42 dias ♂ ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Estival Nidificante; Estatuto: Em Perigo


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PENEIREIRO-CINZENTO (Elanus caeruleus)

O peneireiro-cinzento é uma ave relativamente comum nos campos agrícolas, onde se alimenta de roedores...

O Peneireiro-cinzento é uma bela ave de rapina de olhos vermelhos (algo que só é visível a curta distância), envoltos por uma mascarilha preta, e de plumagem essencialmente cinzenta e que gosta de peneirar. Inconfundível, o Peneireiro-cinzento, ao longe, parece uniformemente cinzento.

Quando avistado a curta distância pode notar-se que o Peneireiro-cinzento tem o dorso cinza, mas com os ombros pretos. Por baixo é branco, com a ponta das asas pretas. Cabeça grande, asas grandes e pontiagudas e cauda relativamente curta. Os juvenis têm a cabeça, peito e dorso manchados de castanho.

Comum no Sul de Portugal, exceto no Algarve, ocorre também com frequência na Beira Baixa e Trás-os-Montes e Alto Douro. No Alentejo parece preferir o montado e as culturas cerealíferas. No norte surge mais associado a carvalhos e castanheiros. Parece estar em franca recuperação desde os anos 60 do século XX. Nidifica (p. 9) em árvores de médio porte. Alimenta-se de insetos, répteis e pequenos roedores, normalmente até tarde, por vezes já muito escuro, peneirando ou planando a baixa altitude.

A destruição do seu habitat é o principal fator de ameaça a esta espécie (principalmente pelo abandono das culturas cerealíferas), mas também o roubo de ovos e destruição de ninhos.

Comprimento: 30cm-36cm; Envergadura: 73cm-84cm; Peso: 230g-240g; Nidificação: 3-4 ovos cremes, incubados 25-28 dias ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Residente; Estatuto: Quase ameaçada


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