AÇOR (Accipiter gentilis)

Este imaturo entrou no "restaurante" e não queria pagar. Felizmente, o dono da gaiola dos faisões chamou os "amigos do ambiente"... A ave foi anilhada e libertada.

Apesar do arquipélago dos Açores ter recebido o seu nome, esta ave nunca ali existiu. Criou-se a ideia que os marinheiros do século XV, ao avistarem as ilhas, teriam deparado com grande número de aves – milhafres – e as teriam confundido com açores. Hoje pensa-se que também não existiriam muitos milhafres nas ilhas, e aponta-se a devoção dos descobridores a Santa Maria dos Açores, como a causa do nome, ou, noutra versão, a uma localidade do continente chamada Açores, de onde seriam originários alguns marinheiros. De qualquer forma, esta história demonstra a importância que os animais, nomeadamente as rapinas, sempre tiveram na cultura, nas lendas e tradições.

Como outras rapinas, no Açor o macho é muito mais pequeno que a fêmea. É uma ave florestal, com um corpo bem adaptado à vida entre as árvores. As asas são largas e curtas, para poder passar bem entre os ramos, a cauda é comprida, servindo de leme para manobrar em espaços fechados. Tem uma listra superciliar branca. Visto de cima é cinza-azulado no macho e cinza-ardósia na fêmea. Ventralmente são esbranquiçados com riscas horizontais escuras (no juvenil, são verticais, o dorso castanho e acastanhado no ventre). No norte e centro do país, onde é mais regular a sua presença, nidifica principalmente em pinhal-bravo e árvores de grande porte, como carvalhos. No sul, onde é mais disperso, ocorre em barrancos arborizados perto de cursos de água.

O Açor é quase exclusivamente ornitófago, mas também pode caçar mamíferos até ao tamanho de uma lebre. É a rapina diurna mais marcadamente florestal, caçando as suas presas entre as árvores e na orla da floresta, quer seja por espera, ou por rápida perseguição entre as ramagens, onde demonstra toda a sua agilidade e capacidade de manobrar em voo. Por isso, é uma ave muito apreciada para a falcoaria e, por outro lado, detestada por caçadores que sentem no Açor um concorrente. Por vezes ataca em galinheiros e outras explorações de aves. Voa frequentemente em círculos e pousa numa posição ereta.

Os incêndios florestais, nomeadamente, os que afetam os pinhais, são uma das maiores ameaças a esta ave. Também os pesticidas, que entram pela cadeia alimentar, lhe podem causar problemas de reprodução. Sendo uma ave discreta, com uma densidade populacional baixa, e de território extenso, não é fácil de encontrar, pelo que importa realizar estudos mais aprofundados sobre o Açor.

Comprimento: 49cm-56cm, ♀ 58cm-64cm; Envergadura:93cm-105cm, ♀ 108cm-120cm; Peso: 650g-770g, ♀ 1100g-1250g; Nidificação: 2-5 ovos azul-claro, incubados 36-41 dias ♀; Taxonomia: Aves, Accipitriformes, Accipitridae; Tipo de ocorrência: Residente; Estatuto: Vulnerável


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