Habitat: refere-se ao lugar onde uma espécie vive. Nesse local essa espécie encontra condições ambientais favoráveis ao seu desenvolvimento, sobrevivência e reprodução. Há espécies que podem viver em mais que um habitat, outras são especializadas, sobrevivendo apenas num habitat específico.
Herbívoro: animal que se alimenta de matéria vegetal. Também são chamados consumidores de primeira ordem (na cadeia alimentar).
Hermafrodita: que tem os dois sexos.
Herpetofauna: grupo de animais que inclui os anfíbios e os répteis.
Hibernação: período de dormência no Inverno em que alguns animais entram em torpor: a sua temperatura baixa e o seu metabolismo diminui. Na Primavera voltam a estar ativos.
Hibernar: ato em que, num determinado período, no Inverno ou meses frios, o animal entra em dormência e/ou torpor: a sua temperatura baixa e o seu metabolismo diminui. Na Primavera voltam a estar ativos.
Híbrido: por vezes, progenitores de espécies diferentes conseguem produzir descendência, mas esta é quase sempre estéril. O homem tem cruzado várias espécies (de plantas ou de animais) para obter organismos com determinadas características, algo que sofreu um grande aumento com o advento da genética.
Identificação das aves em campo: a observação das aves na natureza é um passatempo cada vez com mais adeptos. Porém, a grande variedade de aves, bem como as diferenças morfológicas dentro da mesma espécie (sexo, idade, época) tornam a sua identificação em campo algo difícil. O estudo, o treino, e a prática fazem um bom observador. Algumas características ajudam a eliminar hipóteses: tamanho (comparando com aves conhecidas: “pequeno como um pardal”, “do tamanho de um pombo”), a cor (geral ou um pormenor). Atenção a certas condições de luz, a cor pode ser enganadora), a forma e a silhueta (“asas em bico”, “cauda bifurcada”), marcas particulares (“pés amarelos da Garça-branca”), o voo (“ondulado como o Gaio”, “planando como uma águia”), o canto (muitas vezes não vemos a ave, só a ouvimos), e a plumagem. Algum material pode também ajudar: binóculos, máquina fotográfica, caderno de desenho e um bom guia de identificação. E não esquecer de usar roupa discreta e não incomodar as aves.
Imaturo: que ainda não é adulto ou maturo.
Implantação diferida: fase de suspensão do desenvolvimento dos embriões, que ocorre em alguns mamíferos, devido a um retardamento da implantação do ovo fecundado no útero. O desenvolvimento embrionário é retomado quando as condições forem mais adequadas.
Incubação: ato de chocar o ovo para o manter quente e para que o embrião se desenvolva até à eclosão.
Incubar: ato de chocar o ovo para o manter quente e para que o embrião se desenvolva até à eclosão.
Infracaudais: penas situadas ventralmente na base da cauda.
Insectívoro: que se alimenta de insetos. Hoje aplica-se essencialmente às aves (para alguns autores, também às plantas), mas em anteriores classificações também já foi aplicado aos mamíferos. Por vezes o âmbito do termo insectívoro é alargado, abrangendo outros invertebrados.
Introduzida: espécie, animal ou vegetal que de alguma forma sai do seu habitat natural e deslocado para outro lado, que não o natural. Podem representar um problema.
Invernante: ave que passa o inverno em determinado local, diferente do local onde nidifica e onde passa o resto do ano.
Invertebrados: animais que não pertencem aos vertebrados. A maioria dos invertebrados são pequenos e deslocam-se lentamente ou são mesmo fixos. Geralmente vivem na água.
Juvenil: animal que ainda não é adulto mas também já não é cria.
Leucismo: devido a um gene recessivo, confere a cor branca a animais geralmente escuros. Diferente do albinismo. No caso das aves, manifesta-se pela perda completa de um pigmento particular nas penas, enquanto o resto do corpo (bico, olhos, pele e patas) em a cor normal.
Limícolas: aves que vivem no lodo ou na lama. Quase sempre de pernas e bicos compridos, adaptando-se assim ao meio: as pernas grandes permitem andar no lodo ou na água sem molharem o corpo e o bico comprido adequa-se perfeitamente à sua alimentação, composta maioritariamente por invertebrados que retiram do fundo lodoso das zonas húmidas.
Listra loral: listra entre o olho e a base da mandíbula superior, frequentemente escura ou de qualquer outra forma contrastante e marcada e que pode, por vezes, ajudar na identificação da ave. Se esta listra passar para trás do olho, passa a chamar-se Listra Ocular.
Listra superciliar: listra contrastante (de cor diferente, geralmente mais clara) situada acima do olho, e que se estende da fronte à nuca ou mesmo até ao dorso.
Maré: subida e descida do nível do mar por influência da força gravitacional da lua.
Maturo: adulto, que já completou o seu desenvolvimento.
Melanina: compostos proteicos cuja principal função é a pigmentação e proteção contra a radiação ultravioleta.
Melanismo: concentração elevada de melanina num organismo, levando a que este tenha uma coloração escura. Pode ter uma causa genética ou derivar de facores exógenos (exteriores ao indivíduo), como o aumento anormal da temperatura ambiente durante a gestação, que ativa os genes.
Membranas interdigitais: tecido que une os dedos de alguns animais, (especialmente em anfíbios e aves aquáticas) proporcionando uma melhor aptidão para a natação, funcionando de forma semelhante a pequenas barbatanas.
Mento: parte do corpo da ave, logo abaixo do bico e ainda antes da garganta.
Metamorfose: mudança de forma, alteração nos órgãos e tecidos de alguns animais (anfíbios e insetos, por exemplo), permitindo o seu desenvolvimento e crescimento, até chegarem ao estado adulto.
Migração: mudança sazonal e periódica para um ambiente mais favorável, especialmente para encontrar maior e melhor disponibilidade alimentar, ou locais mais adequados à nidificação ou procriação. É o caso de algumas andorinhas, que passam os meses de Inverno em África. Mas também há animais que vêm cá passar o Inverno, como o Lugre.
Migrador: que muda sazonalmente para um ambiente mais favorável.
Mimetismo: (ou Camuflagem) Alguns autores fazem distinção entre ambos os conceitos, atribuindo ao primeiro a capacidade de o animal se confundir com o meio e ao segundo a capacidade de imitar outro animal. Essas características (forma, cor ou movimento) desenvolveram-se por pressão da seleção natural, servindo essencialmente para proteção ou predação.
Molusco: animal de corpo mole, quase sempre protegido por uma concha dura. A maioria vive na água. Pertencem aos invertebrados. Muitos são hermafroditas.
Monogâmico: que tem apenas um parceiro sexual, com vista à reprodução.
Montante: parte de um rio, desde determinado ponto referencial até à nascente, tal como Jusante é o lado da foz até um ponto referencial.
Muda: processo em que as penas velhas são substituídas por novas, (pode demorar cerca de 6 a 8 semanas, dependendo das espécies). As penas não crescem continuamente como as unhas ou o cabelo. Quando atingem o seu crescimento máximo (e devido ao desgaste provocado pelo atrito, ou porque a ave precisa de uma roupagem nova, p. ex. na época de corte), têm de ser substituídas, normalmente de ano a ano, mas por vezes, mais de uma muda anual. Esse processo consome muita energia, pelo que ocorre quase sempre entre outras duas fases de grande desgaste: a nidificação e a migração.
Mutualismo: associação simbiótica entre duas espécies em que as duas beneficiam, mas nem sempre é necessária, isto é, podem viver uma sem a outra, mas frequentemente é obrigatória para ambas as espécies.
Nascente: local onde a água de um aquífero emerge naturalmente à superfície para um curso de água ou lago. A nascente mais a montante é o início de um rio.
Necrófago: animal que se alimenta de carne em decomposição de animais já mortos, tendo assim um papel importante no controle da propagação de doenças. Alguns autores consideram que necrófago (ou detritívoro) é um animal que se alimenta de detritos orgânicos em decomposição, mesmo que seja de plantas.
Nidícola: ave que ao nascer permanece no ninho, sendo geralmente indefesa.
Nidificação: construir ninho, mais comum nas aves, para colocarem e incubarem os seus ovos e, depois da eclosão (mas nem sempre: ver nidífugas, para protegerem as suas crias.
Nidífuga: é a ave que abandona o ninho logo a seguir ao nascimento; está já bem desenvolvida para poder escapar a possíveis predadores, porque muitas vezes o ninho é construído no chão.
Ninho: estrutura que pode ser feita de diversos materiais, ou apenas o aproveitamento de algo já existente, como uma cavidade natural, para receber os recém-nascidos.
Nome científico: escrito em latim, é único e adotado internacionalmente, constituído por duas palavras, a primeira, em maiúsculas, designa o género, e a segunda, em minúsculas, designa a espécie.
Nome comum: nome por que é conhecida uma determinada espécie. Pode variar conforme as regiões, as línguas e os países.
Omnívoro: que se alimenta de quase tudo, tanto de carne como de plantas. Normalmente são predadores, mas têm o aparelho digestivo adaptado para também comerem vegetais.
Opistoglífa: cobra com os dentes inoculadores de veneno situados na parte de trás da mandíbula, não sendo, por isso, perigosa para o homem.
Ornitófago: que se alimenta de aves.
Ornitologia: estudo científico sobre as aves.
Ovíparo: animal cujo embrião se desenvolve num ovo, fora do corpo da mãe. Todas as aves e muitos répteis, invertebrados e peixes são ovíparos.
Ovovivíparo: animal cujo embrião se desenvolve à custa de nutrientes de um ovo, mas este ovo fica alojado dentro do corpo da mãe. Os ovos eclodem no oviduto materno. Alguns peixes, répteis e invertebrados são ovovivíparos.
Parasita: animal que vive à custa (alimenta-se) de outro (p. ex., a carraça) e o prejudica, (o hospedeiro, p. ex., o cão).
Passeriforme: grupo de aves, bastante diversificado e numeroso (mais de metade das aves) geralmente de pequenas dimensões (mas o maior de todos é o corvo). Habitualmente bons cantores (aves canoras), alimentam-se de sementes, frutas, bagas ou pequenos invertebrados (por vezes, de tudo um pouco). Apresentam patas de 4 dedos, todos ao mesmo nível, 3 para a frente e um para trás, sem membranas interdigitais. As asas têm 9 a 10 rémiges e a cauda 12 rectrizes. As crias nascem indefesas e requerem cuidados parentais.
Penas de cobertura: penas macias que revestem o corpo. Dão cor e aerodinamismo à ave.
Penas de voo: são as penas da parte de trás da asa, quando aberta, também chamadas rémiges, dividem-se em primárias, secundárias e terciárias. O seu número é variável, dependendo da espécie. Fixam-se aos ossos da asa e são rígidas.
Peneirar: referindo-se às aves, peneirar quer dizer sustentar-se no ar, suster-se. Algumas aves têm essa capacidade: mantêm-se no ar, parecendo suspensas por um fio – geralmente, aproveitam o vento frontal e, com pequenos ajustes da cauda e das asas, permanecem quase exatamente no mesmo local.
Placa pós-ocular: escama que se encontram encostadas à parte posterior do olho, e que podem ser úteis na identificação de alguns répteis.
Plumada: (ou Bola de Regurgitação ou Egregófitos) restos de refeição não digeridos; pelos, penas, partes de insetos, garras e ossos, que as aves regurgitam. Mochos, corujas, águias, falcões, gaivotas, gralhas e garças são algumas das aves que regurgitam.
Plumagem: conjunto de penas que cobre o corpo da ave. Serve para o voo, isolamento térmico e impermeabilização; pode variar na cor, padrão e disposição, conforme a espécie, o sexo, a idade, e a época do ano (ver muda). A plumagem pode ter funções de camuflagem ou atração sexual, especialmente nos casos de dimorfismo sexual. Assim, a plumagem é muito importante para distinguir as espécies e as suas características principais.
Plumagem de eclipse: quando os machos mudam para uma plumagem semelhante às fêmeas.
Plumagem nupcial: geralmente mais colorida, ocorre no período de acasalamento. Quase sempre mais evidente no macho.
Plúmula: penas que ficam por baixo das tetrizes, servem de isolamento térmico à ave.
Polígamo: que tem mais do que um parceiro sexual. Diz-se de um macho que tem várias fêmeas.
Predador: animal que caça outro para se alimentar.
Presa: pode significar: a) animal que é caçado para servir de alimento; b) dente canino; ou c) garra de ave de rapina.
Rapace: ave carnívora com patas poderosas e garras fortes, para apanhar e dominar a presa, e bico curvo para as matar e dilacerar. Podem ser noturnas (ativas de noite) ou diurnas (ativas de dia), ambas usam a visão para detetarem as suas presas, mas as primeiras usam principalmente a audição.
Rapina: ave carnívora com patas poderosas e garras fortes, para apanhar e dominar a presa, e bico curvo para as matar e dilacerar. Podem ser noturnas (ativas de noite) ou diurnas (ativas de dia), ambas usam a visão para detetarem as suas presas, mas as primeiras usam principalmente a audição.
Retriz: cada uma das penas da cauda que, no seu conjunto, servem de leme à ave. São quase sempre simétricas.
Rémige: as penas mais compridas e rígidas da asa (penas de voo). Geralmente são assimétricas e de forma irregular.
Reprodução: função que permite aos seres vivos produzirem descendência. Pode ser assexuada, isto é, ter apenas um progenitor (um só pai ou uma só mãe).
Residente: animal que reside todo o ano no mesmo local.
Ruderal: vegetação ou plantas que crescem em zonas criadas pelo homem (carreiros, entulhos).
Rupícola: seres (plantas ou animais) que vivem ou frequentam as rochas.
Seleção natural: processo da evolução proposto por Charles Darwin (1809-82) em que os indivíduos menos aptos são mais eliminados e passam menos descendência, enquanto os mais adaptados ao meio têm mais hipóteses de sobrevivência e de passar os seus genes às gerações futuras. Numa determinada espécie, ao longo de muitas gerações “apuradas” pela seleção natural, vai-se dando uma mudança lenta e gradual, chamada evolução. Os registos fósseis comprovam a teoria de Darwin, bem como recentes descobertas em genética: mutações nos genes podem provocar variações em indivíduos que os tornam ou mais ou menos aptos e essas características podem ser transmitidas à geração seguinte.
Siar: quando uma ave fecha as asas, colando-as ao corpo de modo a ter uma forma mais aerodinâmica, e assim descer mais rapidamente.
Simbiose: termo que, geralmente, se refere a qualquer tipo de associação entre espécies diferentes. Porém, por vezes, refere-se apenas àquelas em que ambas as espécies beneficiam.
Simpatria: diz-se quando ocorrem duas ou mais espécies na mesma região geográfica.
Subespécie: (ou Raça): divisão que pode ocorrer quando duas ou mais populações da mesma espécie se separam geograficamente, sem que ocorram trocas genéticas entre elas, durante um longo período de tempo, surgindo, entretanto, mutações que se expressam em diferenças morfológicas entre as diversas populações. Se ocorrer cruzamentos entre indivíduos de diferentes raças, os descendentes são férteis e apresentam traços mestiços. Normalmente, ssp. é a abreviatura de subespécie, e ao nome científico acrescenta-se o nome da raça também em latim.
Super-predador: predador que caça e se alimenta de outros predadores. Normalmente está no topo da cadeia alimentar.
Supra-caudais: penas situadas dorsalmente na base da cauda.
Território: área delimitada na pose de um animal (ou grupo de animais), podendo aí viver, caçar ou reproduzir-se, é defendido de possíveis concorrentes. Geralmente, o dono de um território marca-o de diversas formas (marcas olfativas, visuais, através do canto, etc.).
Tetrápode: animal com quatro membros, vulgarmente designados de animais de quatro patas. As cobras, apesar de não o parecerem são tetrápodes: os seus membros sofreram uma regressão (nem todas, porque existem cobras de pernas), mas todas descendem de um ancestral de quatro membros.
Tetrizes: (Penas de Cobertura) penas macias que revestem o corpo. Dão cor e aerodinamismo à ave.
Topografia dos Animais: as diferentes partes do corpo de um animal são identificadas por diversos termos técnicos, algo que nos ajudará a identificar, não só essas zonas do corpo do animal, mas o próprio animal em si, separando-o de outras espécies e, dentro da mesma espécie, se é macho ou fêmea, juvenil, cria ou adulto (caso existam essas diferenças). Por vezes, porém, determinada característica de um animal envolve mais do que uma parte do seu corpo, ou então, essa característica faz lembrar algo, pelo que se usam outros termos, de forma a tentar abarcar o conjunto a que se referem, por vezes humanizando ou coisificando essas características, de forma a torná-las mais facilmente identificadoras da parte ou do todo. Assim, termos como axilas, babete, bigodes, calções, dedos, mascarilha, ombros, orelhas, sobrancelha, sovaco, suspensórios, entre outros, são empregues de forma a auxiliar na tarefa de identificar mais facilmente um animal.
Urodelos: anfíbios com cauda (tritões e salamandras), também chamados Caudatos.
Uropígio: zona da parte superior da ave, entre o dorso e a cauda, muitas vezes com uma cor ou padrão contrastante e identificativo.
Vertebrados: animais com crânio e coluna vertebral: anfíbios, aves, mamíferos, peixes e répteis.
Vibrissas: são os bigodes de alguns animais. Pelos compridos e rígidos dos mamíferos, que servem como órgãos sensoriais. Na base de cada pelo existem estruturas nervosas que transmitem ao cérebro as informações (de temperatura, vibrações, etc.) captadas pelas vibrissas.
Vivípara: espécie cujo embrião se desenvolve numa placenta (dentro do corpo da mãe) que lhe fornece nutrientes necessários. A maioria dos mamíferos, alguns répteis e peixes são vivíparos.